terça-feira, 28 de abril de 2009

se as manhãs falassem...

"Ainda tinha os cabelos molhados caídos nos ombros...seu olhar era de satisfação por todas as boas coisas que estavam lhe acontecendo....parecia sorrir, por mais que parecesse ser sério, e lá no fundo, gostava de ser quem era, e viver a vida que levava...

Poder olhar para aquele céu claro, lhe doía os olhos...mas quem ligava?....preferia ficar cego por anos a perder toda aquela magia daquela manhã...era especial, assim como seu copo de café...forte e sem açúcar...

Se ao menos pudesse derramar uma lágrima, tudo ficaria mais especial....e se as coisas estavam tão bem, pra que chorar?

Tinha perdido muitas coisas, mas até ali, deveria aprender alguma coisa...ser forte, como o seu café...ou simplesmente, esquecê-las....e viver...

Por mais que todos dissessem o que deveria fazer, ele só queria viver....assim, sentindo o seu coração bater como fazia todos os dias....já não deveria mais acreditar nas bobagens dos outros...deveria confiar em seus instintos....deveria tentar, mais uma vez...

Se, para o homem seria lindo saber voar, sem precisar de máquinas....pra ele seria lindo saber chorar, sem medo....seria uma celebração ao nada....uma celebração a si mesmo....uma celebração a vida que deveria começar...

E se ainda houvesse, mesmo assim, algum motivo pra que sua vontade não se cumprisse, ele desapareceria, assim como seus demônios, de alma lavada e perdida....chorou, mais uma vez....por si mesmo...."

Autora: Ana Paula Chica

Pseudônimo: lovesoul
música:morning bell

domingo, 26 de abril de 2009

Salada de Batatas

Não havia nada a temer. Chegariam à mesma hora, ficariam juntos pelo mesmo tanto de tempo, fariam o que queriam fazer e ninguém saberia. O que os outros dois não sabiam não os machucava. Ele vinha traindo a esposa há semanas — na verdade meses — e não sentia o menor remorso por isso.
Remorso? Remorso por aquilo? Que besteira pensar nisso. Ela merecia, não? Se queria se privar de uma boa transa com ele não era de sua conta. Havia quem o desejasse.
Chamava-se Elisa — não a mulher dele, mas a outra —, e se existe um deus ele havia caprichado nela. A mulher era um tesão. Morena, estatura mediana, peitos fartos, um olhar tão verde que parecia uma floresta em miniatura presa em uma pequena esfera de vidro, a boca tão carnuda que era impossível não desejar, e, como toda boa brasileira, disse BOA brasileira, tinha uma bela bunda. Durinha e bem definida. Um tesão, meu caro leitor, um tesão.
Paulo ficava doidinho por ela, e quando ousava comparar Elisa com a coisa moribunda, molenga e cheia de estrias que o aguardava em casa, todo dia, quando chegava do trabalho, com um sorriso no rosto e aquela porcaria de salada de batatas, ria-se. Seria como dizer que dois mais dois é igual a cinco.
E lá vinha ela, como sempre na mesma hora, desfilando com seu rebolado que enlouquecia os homens e o levava do céu ao inferno em dois tempos. Era só dele.
Ah, sim, ela também era casada, mas seu marido era tão imbecil que nem notava a esposa. Na verdade, ela casara só pela grana que ele tinha — o cara era feio pra caramba, tão feio que nem vou descrevê-lo pra não perder nosso tempo e cansar minha mão, teclando coisas à toa que não vão acrescentar nada a nossa historinha, porque é preciso manter-se controlado pra não deixar o texto absurdamente grande e sem conteúdo, concorda? Por isso eu só vou teclar/escrever o que for necessário, caro leitor, não se preocupe. Não vou nos cansar com lorotas:
— Sempre na hora certa — disse o Paulo com um sorrisinho sem vergonha —, vamos?
Queria saber por que ele perguntou isso. Estavam ali para ir, certo?
— Vamos — aquela boca abrindo e fechando, falando quase nada, enlouqueceria qualquer um que a visse, quer dizer, ouvisse —, mas hoje não posso me demorar muito. Compromisso.
— O quê exatamente? — ele pouco se importava com o que ela tinha que fazer, só não gostava da idéia de ter que transar menos naquele dia. Raios! — O Mendoncinha vai chegar mais cedo em casa?
— Mendon... Ah, ele. É mais ou menos. Não vem ao caso, vamos logo, gostoso — ela sabia falar como perua/vadia igual a ninguém.
— Certo.
Engraçado como nessas horas o traíra se sente traído.
Os dois atravessaram a cidade, até chegar a um motel bem bonitinho e escondido. Motel Hell Love — adorei o nome, Amor Infernal, muito belo —, super convidativo a todo tipo de orgia, concorda?
Já eram da casa conhecidos, então não tiveram muitos problemas com a questão do sigilo. Pagavam uma boa quantia extra pra que ninguém soubesse que eles estiveram ali. Dona Maria, a recepcionista — nem toda Maria é só dona de casa; se bem que, dona Maria cuidava daquele inferno... — sempre soltava um muxoxo quando os dois chegavam. Sem vergonhas, dizia, mas no fundo ela sentia era inveja de Elisa, pelo corpo que tinha e o homem que o possuía.
Mal chegaram ao quarto se atracaram. Ele tirando as roupas dela e ela chupando o pescoço dele.
— Gostosa — sussurrou Paulo, enquanto deslizava a língua pelos seios fartos de Elisa e percorria com as mãos o corpo da mulher: barriga, bunda, vagina, nada escapou daquelas intrusas.
E ela gostava, e logo retribuiu. Empurrou-o para a cama, e puxou sua calça. Estava louca, a doida da mulher. Puxou a calça dele com um único movimento, a cueca tirou com a boca, e a brincadeira começou.
Ela o chupava como se a uma divindade, o Deus Pênis. A boca dela era o templo e a língua o sacerdote, que oferecia o doce sacrifício a sua realeza cilíndrica. E como ela gostava.
Passava a língua pelo o pequeno grande rei, e depois o engolia por inteiro — um mistério — e depois o deixava de lado e partia pro seu colega de classe: o Saco — só pra lembrar, ele era depilado sempre, a pedido dela que não gostava de ter pentelhos grudados na língua —, engolia-o, regurgitava-o, lambia-o até se cansar, ou Paulo gozar. Ela adorava quando ele gozava na boca dela. Engolia tudo, muito obediente.
Então ele a agarrou. Jogou-a na cama e começou a lambança. Peitos, corpo, até chegar lá.
Enfiava a língua, tirava, lambia, beijava, chupava, enfim. Serviço completo.
Mas o melhor vinha depois, quando ele a pegava pela cintura, prendia em seu colo, e fazia-a gemer olhando fixamente em seus olhos.
Era lindo de se ver. Os dois emaranhados um no outro, se encarando, beijando, lambendo os rostos, enquanto o prazer percorria a extensão de seus corpos, que ficavam como um só. Ela cavalgava. Ele era o cavalo. O quarto o campo.
Nesse momento eles estavam no céu.
Então cometiam o pecado de querer mais — querer mais é pecado — e iam pro inferno. Ele a deixava de quatro, uma ninfa indefesa, diante de seus joelhos, e a penetrava. Uma duas três quantas vezes quisessem. Pareciam estar no mais profundo do laguinho de fogo que os esperava, mas o cheiro que sentiam não era de enxofre, ou de carne queimada. Sentiam o cheiro do prazer, do êxtase, do ápice de um relacionamento. O sexo é divino, mesmo sendo selvagem — e ele lá, fazendo bem o que sabemos.
Ah, os gritos, gemidos, delírios dela eram impagáveis. Valiam muito mais do que cada centavo pago por aquele quarto. Sexo bom, a preço de fabrica.
No fim, os dois caiam um do lado do outro. Exaustos, ofegantes, satisfeitos.
Até que a verdade voltasse até eles, e os trouxessem de volta ao mundo real:
— Você tem que ir mais cedo por que mesmo? — indagou Paulo, brincando com os mamilos da parceira.
— O idiota quer que eu cozinhe — respondeu Elisa, passando a mão pelo abdômen do amante.
— Algo em especial? — disse Paulo quase em cima dela.
— Salada de Batatas — disse Elisa, sem saber o que dizia.


Autor: Henrique Santana Cordeiro
Pseudônimo: Pismire
Música: Talk Show Host

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Eu poderia lhe mostrar as estrelas.

Já lhes contei sobre minha vida? Ah, claro que não, acabo de conhecê-los. Você, qual seu nome mesmo? Ah, isso, tinha esquecido, sabia que era alguma coisa com "M", só não lembrava se era Marina ou Mariana. Tão parecido, não? Pois então, Marina, e todos vocês… já lhes contei sobre minha vida? Claro, por que não contar? Temos tempo, eu acho. Na verdade, temos tempo até demais. E vai ser difícil passá-lo. Então, façamos assim, cada um de nós vai contar aquilo que acha ser uma coisa importante na vida. Um fato que marcou, sabe? Não deve ser difícil. Marina, você é muito bonita, sabia? Tem olhos lindos, já lhe disseram isso? Bom, eu começo então, essa era a idéia. Mas prometo que não vou me alongar demais. Somos muitos, é justo dividirmos o tempo.

Não lembro quando foi. Lembro que fui à uma cidade, a trabalho. Não, não lembro o trabalho. Que importa, não é mesmo? Eu nem mesmo lembro com o que trabalhava. Acredito que eu vendia algo. E eu viajava vendendo esse algo. Talvez vocês julguem que não devia ser algo muito bom, pois se o fosse, se venderia sozinho, sem alguém ter que viajar para vendê-lo. Quando o produto é bom, as pessoas vão até ele, não é mesmo? Eu não lembro o que era, o que importa? Não devia ser algo bom, né, Marina? Você é muito linda, viu, Marina. Eu não sei o que eu vendia, mas daria um de graça pra você, Marina.

Eu tinha saudades. Isso sim, eu lembro. E que saudades. De tudo, sabe? Saudade é fogo, quem se livra dela? Eu tinha saudades de casa, embora hoje eu nem me lembre como era. Mas lembro da saudade, porque ela vem com a gente. Vai tentar se livrar de uma, não consegue, viu. Eu já estava nessa cidade há muito tempo, e antes disso, estava viajando há mais tempo ainda. Eu ficava no quarto do hotel. Era um hotel antigo, de corredores largos e compridos, portas de madeira, chão com carpete marrom, velho e manchado. Tinha uma arrumadeira, Dona Teresa, gorda, enorme. Ela andava se balançando, suando e esforçando-se, soltando suspiros de cansaço e dores nas costas. Ela arrumava meu quarto todo dia, quando eu saía para o café da manhã. Mas o que eu quero contar é que sempre que eu acordava, demorava um pouco pra lembrar quem eu era. Nossa, como aquilo me dava medo. Depois, a primeira coisa que eu lembrava era o cheiro do calor de verão, aquele cheiro morno da manhã, sabe? Antes do sol ficar forte demais? Eu não sentia aquele cheiro naquela cidade. O fato é que isso não faz diferença, o que importa, Marina, é que eu estava nessa cidade, e coisas estranhas começaram a acontecer.

Um dia, vi algo estranho no céu. Foi rápido. Não se parecia com nada. Tentei esquecer aquilo, mas poucos dias depois, vi novamente. Parecia uma grande sombra, flutuando acima do céu. Dessa vez, foi muito mais devagar, e vi uma luz piscar. E juro, juro mesmo, que ouvi um barulho vindo de lá, como se fosse um flash disparando. Sabe, aquele som que parece um estalo? Depois, sumiu. No começo, achei que era uma loucura minha. Ninguém mais parecia ver, só eu. Sabe, quando se fica longe de casa, é preciso cuidado - extremo cuidado - para que não se crie, dentro de pouco tempo, uma paranóia. Bom, quando se fica em casa também. Ah, você riu, né, Marina! Pensei que você não ia dar nem um sorrisinho.

Bom, a verdade é que dias depois, vi de novo. E começou a se repetir, em locais diferentes da cidade. Me sentia observado, mas quando ela não aparecia, confesso que sentia uma solidão. Passei a chamar aquilo de "ela" apenas. Comecei a ficar fascinado por aquilo. Pensava nela o dia todo. A saudade de casa sumiu. Quando ela não aparecia, era a saudade dela que eu tinha. Eu disse, a saudade é fogo, pra sumir uma, só se aparecer outra no lugar, vai por mim, Marina.

Um dia, ela sumiu, de vez. Aquilo foi um terror. Eu andava olhando para os céus, nem comia direito. Não dormia. Nunca. Saudade, sabe? Parei de sair para a rua e ficava só no quarto do hotel, deitado no chão, olhando o céu pela janela. Eu não deixava mais limparem o quarto. Um dia, a Dona Teresa entrou lá, me viu deitado no chão e foi chamar o gerente. Eu podia ouvir seus passos pesados mais apressados que de costume. Ela deve ter achado que morri. Voltou ela e o gerente. Tive que explicar que eu estava bem e não queria ser incomodado. O gerente insistiu que eu não estava bem. Dona Teresa disse que o quarto fedia demais. Eu não devia estar bem mesmo, há dias que não comia. Eu insisti em ser deixado sozinho. Ainda tinha dinheiro e o quarto já estava pago até o fim do mês, eles não podiam me tirar de lá. Então eu disse que não queria contar, mas que eu tinha uma religião que pregava que de tempos em tempos eu devia me isolar do mundo e pensar em Deus. Chamava-se “Grande Templo do Pensar em Deus de Tempos em Tempos”. Eles pediram desculpas e se retiraram. As pessoas acreditam em qualquer coisa ligada à religião, Marina, qualquer coisa.

Naquele dia, eu comi um pouco, pedi um sanduíche no quarto. Só o bastante para não morrer, não tinha fome, nem vontade. Passaram-se mais alguns dias, eu já definhava, mas permanecia ali, deitado no chão, olhando a janela. Então, ela voltou. E parou ali. Flutuava acima das nuvens, mas eu a sentia bem perto, e bem acima de mim. Vi então um flash de luz muito forte. Achei que tinha ficado cego, mas quando abri os olhos, vi estranhas criaturas na minha frente, pareciam peixes que flutuavam, mas tinham braços e piscavam. Eram enormes. O quarto ficou estranho, uma atmosfera leve, tudo parecia se desmanchar como bolinhas de sabão, sabe, Marina? Uma neblina, não sei. Tudo uma mistura de neblina com cores. As criaturas começaram a dançar ao meu redor. Elas mesmas abriam buracos nelas, e dos buracos surgiam pequenos peixes diferentes, coloridos, que pareciam desmanchar no ar. Marina, aquilo era lindo, eu estava em outro mundo, sabe? É sério, Marina. Eu queria muito estar sempre nesse outro mundo, e poderia levar você comigo. Você não quer ir comigo, Marina? Sempre tem lugar para uma moça bonita como você. Olha o sorrisão.

Aquilo foi aumentando, sabe? Eu sentia que estava voando e, de fato, comecei a voar. É impossível definir o que eu sentia. Eu flutuava com eles. Parecia haver música no ar, uma música linda. Mas de repente, tudo parou. Eles sumiram, Marina. O que senti foi o maior buraco dentro de mim que eu jamais poderia imaginar. Eu era um deles, eu tinha certeza. Isso explicaria muita coisa, sabe? Explicaria toda minha vida, e tudo faria sentido.

Mas eles partiram. E lá no fundo, eu sabia: estava sozinho de novo, mais só do que nunca, eu sabia que eles não voltariam.

Os dias se passaram. Eu não fazia mais nada, Marina. Dessa vez, nem mesmo olhava pelas janelas, porque eu sabia que eles não voltariam. Eu só deitava no chão e desejava estar com eles. A saudade aumentava e aumentava e eu não sabia o que fazer, estava fraco já, não dormia, não comia, eu não era mais nada, Marina. Sabe, se eu te visse naquela hora, Marina, nem teu sorriso me faria levantar. Eu nem saberia de você, mesmo que você aparecesse lá, me pegasse pela mão e me beijasse a testa. Mesmo que todos vocês aparecessem lá e gritassem, me carregassem, me abrissem, tivessem facas à mão e me cortassem, nada aconteceria. Eu não queria nada, sabe? Eu só queria que eles descessem por aqui e me levassem a bordo de seu lindo navio, e me mostrassem o mundo como eu queria ver. Eu poderia lhe mostrar as Estrelas, Marina, mas você nunca acreditaria, não é mesmo? Eu sei o significado da vida, eles me contaram naquela dança, naquele dia, no quarto daquele hotel velho e mofado. Mas eu não posso contar, Marina, não posso. E vocês diriam que eu estou louco de vez, não é?

O que eu sei, é que eu fiquei lá. Em certos momentos, eu queria cavar e cavar e me enterrar, sabe? Porque eles não viriam. E então, as pessoas chegaram. Isso faz tempo. E agora, estamos aqui. Eu e todos vocês. Todos nós, não é mesmo? Pois então, quem vai contar sua história agora? Você, Marina? Não, você não pode, não é mesmo? Algum outro, né? Sabe, você tem olhos lindos, Marina, alguém já lhe disse isso? Parecem estrelas.

Música que inspirou: Subterranean Homesick Alien
Pseudônimo: Chupa-Cabra.


autor : Gustavo Vilela

Precipício.

Acordei de um sonho às quatro da manhã, porque sonhei com isso?
Estranho eu te chamar de volta após ter tudo acabado pelo que me lembro é a quarta vez que te chamo, não! Lembro que você me chamou também porque voltei e mesmo assim acabou, mas porque não acabou tudo?
Adoro esta inconstância deve ser porque sou muito certinho, deve ser castigo, passo a adorar este flagelo na carne ou na alma vai saber quem realmente entende da dor, só sei que dói cada vez menos, quem é deus você ou eu? Quem tem o direito de cortar a linha? Este novelo esta cheio de remendos da alma, será que ainda a temos?
Você esta diferente o que ouve? É claro se eu de certa forma mudei porque você estaria igual sinto prazer com meu egoísmo não reparou? Por isso te quis aqui na minha frente mesmo fria, mas sinto ainda como é macia tua face.
Retornou com segredos e isto acaba comigo, quem suporta segredos? Esta bem você esta certa cada um por si será assim para sempre, isto me consome por dentro, o que é consumido eu não sei, a carne, a alma, que bom que isso tudo tem um tempo e eu posso contar ele, 15 passos, eu dou quinze passos em 15 segundos.
Este é o meu tempo de voltar atrás, porque fico hipnotizado por esse precipício? Porque não tenho mais alma e não sinto mais dor e não vejo mais a tua face.
Pluft!

Música: 15 steps
Pseudônimo: Ferrari




autor: José Luiz

Fecha aspas

Como um sonho,seria isso a descrição da minha mais insana e ardente vontade.Ser chamado de amigo não é mais suportável.

Quando cruzo com seu olhar,é como se subisse um fogo vindo do inferno e ele fosse se impregnando em mim,como se eu fosse um rato manco de dor enfrentando a ratoeira,com uma única intenção,mesmo sabendo dos danos,que é saciar a fome,e a sede do prazer.

É assim que me sinto,quero seu amor,sua paixão,ser seu desejo.Você bem que podia esquecer tudo,largar todos seus medos,dúvidas e vir comigo,vamos subir juntos (pelas paredes) como dois amantes selvagens famintos um pelo outro.

Como sei que é difícil convencer e conquistar você,pouco a pouco,eu me aproximo,conheço seus detalhes,todos seus gostos,e seus vértices.

Te faço dar gargalhadas desconcertadas,nos embriagamos juntos todas as sextas feiras,tudo para me sentir firme em relação aos meus conceitos,e chego sempre à uma conclusão semelhante: quero ser seu amante,sem medo,sem regras,na verdade,a única regra seria a falta delas.

Costumeiramente,te vejo dormir,ah! Como queria poder te observar em tudo o que faz,ler sua alma e cada vontade mais estranha que tivesse,sua beleza,sua áurea,me encanta,e isso chega a ser platônico da minha parte.

Amor,ah! O amor cega,o amor surta,o amor te guia também,sempre ao mesmo caminho,e quando não se sacia,vira um vício,vira um desafio,cada dia um passo a mais para a consumação do bem desejado.

Estava eu,e você,juntos.Estávamos entrelaçados como um cadarço de tênis de uma criança,nos enrolávamos infinitamente e nunca tinha fim,não,nunca acabava,e era tão bom,era muito bom.Quando vi,não passava da minha descrição,não passou de um sonho.

Acordei,e você estava lá,construindo um castelo de cartas,para mim,quando minha estrutura toda se foi pelos ares,e você pelas paredes (subirmos juntos) me guiou,e eu voltei a sonhar,brincar de ser seu amante.


Música: House of Cards
Pseudônimo: harper*



autor : Karoline Garonce

segunda-feira, 20 de abril de 2009

There Will Be Blood

Era uma vez, em um reino não muito distante, um rei muito sábio: Colin, o Intelectual. Um rei muito amado por todos os seus súditos porque, além de muito bem educado, ele era muito charmoso. Era o tipo de pessoa que gostava de conversar com todo mundo sobre qualquer coisa. De fato, o cara era muito praça. O rei Colin tinha um único defeito: ele sempre perdia o senso quando preocupado com sua adorável filha, a princesa Jonny, a mais linda garota de seu tempo. Jonny tinha aperfeiçoado a beleza de Branca de Neve, porém tinha o senso de Cachinhos Dourados, e a vaidade digna de uma rainha má. Quem quer que tivesse a sorte de ver Jonny, pensaria que sua vaidade não era uma falha de caráter, mas apenas autoconsciência.
Quando a princesa Jonny fez quinze anos de idade, ganhou de seu orgulhoso pai o mais precioso anel de diamantes que anteriormente fora de sua avó. Jonny não se continha em mostrar seu agora adornado, belo, longo, e fino dedo para a apreciação e inveja de todos. Jonny vagava por todos os cantos com sua mais nova jóia, dentro e fora do palácio, escoltada ou não. Jonny! Que cabeça-de-vento!
Um dia, Jonny estava brincando sozinha com sua pipa perto da lagoa, logo ali fora do palácio, quando o impensável aconteceu. A linha da pipa enrolou-se em torno do dedo da garota. Ela teve grande dificuldade de desenrolar, e quando conseguiu, o anel de diamantes escorregou de seu dedo, caiu direto na lagoa e submergiu na água.
“Ih! Agora fudeu! Como eu vou explicar isso pro meu pai? Ele nunca vai me perdoar! Hum! Tive uma idéia.”
A princesa rasga suas roupas, suja seu rosto, membros, e cabelo com lama. Quando satisfeita, ela sorri, não malignamente, porque Jonny é só uma garota sem noção. Depois ela corre de volta pro palácio, gritando e chorando.
Quando Jonny encontra seu pai, toda a corte já está em polvorosa. Todos estão reunidos na sala do trono esperando para saber o que aconteceu. O próprio rei está prestes a chorar.
“Paiiiii!!!!! Eu fui estuprada!!!”
“Oh! Infâmia! Desonra! Vergonha! Desgraça!” A multidão exclama, grita, chora, etc.
“Oh! Minha filha! Minha preciosa! Luz da minha vida! Quem fez isto? Quem foi o monstro? Foi só um homem ou foi uma curra? Você pode me dar detalhes?”
Agora Jonny está muito surpresa. Tudo o que a garota queria era ficar livre de qualquer responsabilidade. Ela não esperava ser obrigada a detalhar coisa alguma. Jonny pensa rápido e manda:
“Ai! Paií! Foi horrível! Por favor, não me faça contar mais! Eu fui estuprada e meu anel foi roubado!”
Mas o rei Colin é um homem muito curioso e justo, ele não pode aceitar ignorância e injustiça.
“Eu sinto muito minha querida, mas eu tenho que saber quem fez esta monstruosidade contra você, com detalhes, e punir o criminoso.”
“Ai, tá bem! … Foi só um homem. E ele não era nem muito alto, nem muito baixo; não era nem muito escuro, nem muito claro; não era nem muito gordo, nem muito magro. Ai, paií! Eu tô traumatizada, eu não lembro! Tudo o que posso dizer é que ele me estuprou e roubou meu anel!”
“Ok, querida. Não se preocupe, meu bem. Esse marginal será perseguido, encontrado, preso, e torturado. Punido, como não! Pelo bem da justiça!”
“É! Tortura! Tortura! Aham. Justiça! Justiça!” A multidão clama.
“Mas pai! O cara já deve ter fugido, você não vai pegar ele.”
“Não diga isso, Jonny. Você não confia na polícia deste país? Aonde este crime tão excitante ... quero dizer ... este crime tão horrendo aconteceu?”
“Na lagoa.”
“Ele deve estar lá ainda. Estupradores são tão arrogantes! Guardas! Vocês ouviram a descrição pobre que minha filha deu de seu violador. Tragam qualquer um que se encaixe nesse perfil.”
Meia hora depois, os guardas retornam trazendo um homem: baixo, branco feito parede, e seco feito espeto. Depois de checar suas feições, o rei Colin repreende os guardas.
“Este homem não chega nem perto da descrição que minha filha deu! Explique esta arbitrariedade, Senhor Godrich.”
“Vossa Majestade, este homem foi encontrado na lagoa e ele estava com o anel.”
“Ah! Estava com o anel!? Como você se explica, senhor?”
“Yorke, Vossa Majestade. Eu não sou um estuprador. Só encontrei o anel dentro da barriga de um peixe, eu sou um pescador, por isto estava na lagoa.”
“Eu nunca ouvi em toda a minha vida uma explicação mais sucinta e razoável. Você não poderia dar uma explicação mais detalhada? Quero dizer, com detalhes sórdidos. Você é obviamente culpado! Mas eu sou um rei muito justo. Você terá sua chance de provar sua inocência. Guardas, entreguem este homem ao carrasco.”
Após uma hora de boas pancadas, o senhor Yorke já fizera as pazes com sua consciência para a idéia de que, de fato, ele é um estuprador. Ele diz ao carrasco real:
“Ok, senhor Selway. O senhor é um homem tão persuasivo. Eu gostaria de falar com Sua Majestade agora. Tenho uma confissão a fazer.”
“Obrigado, senhor Yorke. Eu sei que seu elogio é sincero. Porrar é a minha paixão na vida.”
De volta a sala do trono, todo mundo reunido novamente.
“Vossa Majestade, eu peço desculpas. Eu deveria ter-lhe dito a verdade no primeiro momento, mas a minha natureza cavalheiresca me fez mentir para proteger uma dama. A verdade é que eu tracei sua filha. Ela é muito gostosa, então, eu comi ela legal, várias vezes, até dizer ‘chega’. Ela é insaciável. Eu não quis de início, pensei que seria desrespeitoso. Eu, um pescador, foder uma princesa. Mas todo mundo deve ter percebido que o que Jonny quer Jonny consegue.”
“Esta é uma explicação bastante detalhada e sórdida, mas o que o senhor tem para corroborar seu depoimento?”
“Oh! Meu rei! Claro, o senhor não tem que acreditar em mim. Mas o senhor pode ver com seus próprios olhos se há qualquer sinal de que a princesa tenha sido violentada.”
“Doutor O’Brien! Você tem sido o único homem em quem eu sempre pude confiar em todo este reino. Como meu médico, eu ordeno que você examine Jonny e defina a verdade.”
Um tempo depois, mesma sala, mesmo tudo.
O senhor O’Brien conhecera Jonny desde sempre e a amava como se ela fosse sua própria filha. No entanto, ele jamais pôde mentir para o seu rei, seu melhor amigo, seu confidente, você entendeu. Não quando o rei Colin lhe dá aquele olhar. É impossível mentir para aqueles olhos verdes, faiscantes, enormes, aqueles olhos de coruja.
“Eu examinei a Sua Alteza, e de fato ela não é mais virgem. No entanto, não há sinais de violência nela. Eu sinto muito, Jonny é uma periguete.”
Alguém lá na multidão espirra “A rainha do boquete!”
“Jonny, o que você tem a dizer em sua defesa?”
“Ôxi! Paiê, eu sou uma princesa muito bem educada! Eu prefiro músicos.”
“Resposta errada, garota! Você não sabe que músicos adoram falar de suas vidas sexuais? Pra que você acha que serve um chofer? Um pescador, Jonny! Isto é baixo demais até para uma princesa inglesa! Senhor Selway, eu ordeno que você corte a cabeça de Jonny! Senhor Yorke, eu lhe devo uma grande desculpa. Em pagamento por seu sofrimento, aqui, tome o anel de minha filha, é seu. O senhor está inocentado, pode ir.”
E é por isso que o nome de Jonny foi apagado dos livros de contos de fadas sobre lindas princesas.
Meses após este incidente constrangedor, na mesma lagoa. Em um iate enorme.
“E aí, Yorke. Tu vai ou não vai me contar? Tu comeu mesmo a princesa?”
“Tu quer mesmo saber a verdade, Stan? Pois eu vou te contar. Mas não espalha. Tenho uma reputação a preservar. Eu estava no meu barco, na lagoa, pescando como sempre. Aquele dia foi o pior em meses, eu peguei só um peixe, e só porque já estava morto, flutuando, coitado. Minha barriga roncando. Voltei pra casa, abri o bucho do bicho, encontrei o anel lá, voltei pra lagoa. Pensei que poderia vender o anel pra algum nobre mané, não sabe? Rapá, eu nunca tinha visto a princesa antes! Ela é mesmo gostosa. Perdão, era. Aquela eu pegava, oh, se não!? É essa a estória toda. Mas todo mundo só quer saber de sexo e violência e não de conto de pescador.”

Pseudônimo: Black Swan
Música:How I Made My Millions



AUTOR : Lily Yorke Fayke

Sobre insetos, lâmpadas e homens.

Sentados na varanda, sobre o olhar de um luar cinzenta e obsoleto, eles conversavam:
— Mas no fim, estes insetos — disse o primeiro, apontando para um pequeno grupo de mosquitos que voavam em volta da lâmpada que os iluminava —, são a maior representação da cobiça que existe.
— Como? — disse o segundo — O que tem de tão especial em insetos? Eles não me parecem tão significantes assim.
— Olhe para a lâmpada, ou melhor, olhe para o centro dela, o pequeno fio luminoso.
O outro olhou.
— O que você vê?
— Nada além de luz.
Silêncio. O Primeiro, em um movimento leve, levantou-se, ficando em pé, sobre a cadeira. Sem saber o porquê daquilo, e ao mesmo tempo achando graça no gesto de seu parceiro filosofo, o Segundo o acompanhou. Ambos ficaram quietos, observando a ampola de vidro e seus insetos. O espetáculo bizarro, daquelas pequenas criaturas tentando, incansavelmente, penetrar a transparente barreira que os separava da fonte de calor era banal, mas fazia o Primeiro se emocionar de uma forma estranha. Seus olhos brilhavam, e não era apenas o brilho da luz refletindo neles: era uma espécie de compaixão, um dó desvairado por aqueles ignorantes seres.
Impaciente, o outro demonstrou seu incomodo:
— Já se passou um tempinho, eu não sei o que estamos fazendo, e isso tá me deixando desconfortável.
— Ah, desculpe. Você não vê nada alem de luz, não é? — disse o outro, coçando a cabeça, como alguém que acaba de acordar de um sonho.
— Além de insetos, sim, só a lâmpada e sua luz. E essa conversa já está ficando redundante.
— É, verdade, talvez piore... Eu vou te explicar.
Sentaram-se. Uma brisa suave os tomou e, olhando para o chão, viram alguns insetos mortos.
— O que estes insetos mais querem é tocar aquele fio de luz, que emana do centro da lâmpada. Aquela ampola, ela é, aparentemente, o único obstáculo entre a Fonte e os insetos, e, em sua ignorância, eles não enxergam qual o erro disso tudo.
— O fato de eles serem ínfimos demais para superarem ela e chegar à Fonte?
— Isso mesmo. Nunca irão chegar a Fonte. A ampola que a protege não pode ser quebrada.
— Mas eles têm a percepção de que existe uma barreira, algo que os impeça de chegar até lá. Por que, então, continuam tentando?
— É o calor. A energia que o centro da lâmpada emana é algo inexplicavelmente agradável para eles. Uma vez que percebem isso, pode observar — disse o Primeiro, olhando para a lâmpada —, não param de tentar alcançar a origem dessa energia.
— É… mas, veja — disse o segundo, apontando para os pequenos corpos no chão — eles morrem com essa busca.
— Eles morrem porque não percebem o obvio.
— Como?
— Já pegou em uma lâmpada, depois de algumas horas acesa? Ela fica insuportavelmente quente. Imagine: se em mim, um ser superior a esses insetos, essa lâmpada causaria dor, se eu tocasse nela, o que aconteceria com eles?
— Entendi: eles não percebem que a ampola é mortífera, porque estão cegos em sua busca pela energia primordial. Como são meros insetos, chegará o momento em que seus corpos não resistirão mais, então eles morrerão. A Energia que eles tanto buscam, no fim, é a própria morte.
— Não, ela não é a morte. A vontade de querer gozar plenamente dela, em sua essência sim. É isso que os mata.
— Você me deixou confuso.
— Essa ampola é intransponível, por dois motivos óbvios: ela não pode ser quebrada por eles, além de estar sendo aquecida pela origem da Luz, o que a torna mortífera. É essa combinação que os mata. Eles não percebem que a Fonte não pode ser tocada, que não podem ter o todo, e por isso morrem. Por serem, como eu já disse, cegos.
Mais uma pausa silenciosa. Os dois estavam pensando, conversando consigo. Grilos cantavam, e uma nuvem escondeu a lua. Então, o Segundo falou:
— Já sei por que, então, eles são a imagem da cobiça.
— Não fica claro, agora?
Leves risos.
— Eles poderiam viver muito bem, com a pequena fração de calor que podem ter. Pra quê tocar a luz, se podem gozar dela aqui fora? Eu só consigo pensar em uma resposta: tocar a fonte é o apogeu da vida desses insetos; ali tudo se completa, tudo faz sentido. Respostas os encontram, mistérios se solucionam, novidades os domam. A vida se completa, literalmente, enquanto o equilíbrio entre todas as coisas é formado. É como ganhar uma vida nova, um corpo perfeito, e alma que suporta o calor. O ápice do darwinismo — concluiu o Primeiro.
— Sim, e é uma pena que algo tão banal, como uma cegueira voluntaria, os impeça.
— É uma pena saber que, lá no fundo, eu e você somos exatamente iguais a esses insetos.
— Realmente. Mas há esperança?
— Sim, ou não. Eu não vou viver o suficiente para ver a conclusão desse mistério.
Silêncio.


Autor: Henrique Santana Cordeiro
Pseudônimo: Pismire
Música: There There