domingo, 19 de abril de 2009

A ópera do silêncio.

No futuro, um grande silêncio envolverá as cidades. Máquinas e motores não emitirão qualquer ruído, as sirenes serão banidas e não haverá mais gritos e histeria nas ruas. O ar quente do verão pairará continuamente na atmosfera, e sob um límpido firmamento _ no delicado fogo azul dos dias ou nas sombras estelares da noite _, as vidas transcorrerão como um rio à margem do tempo, à margem dos dias. Os seres humanos andarão despreocupados, quase inscientes, palmilhando distraidamente ruas e calçadas sob o vulto escuro de prédios gigantescos, sem jamais olhar para o céu, pois até mesmo a fé e a esperança não passarão de vagas reminiscências, vislumbradas apenas eventual e fugazmente por entre os interstícios da memória sensitiva. E sobre o mesmo velho chão no qual um dia a primeira chama foi acesa e brilhou intensamente nos olhos atônitos de um deslumbrado primata, os homens continuarão alheios à sua origem e ao seu destino, porém infinitamente mais felizes _ uma felicidade gerada na escuridão da carne, em seus veios e extratos mais profundos, espontânea e volátil como um gás; uma felicidade quase vegetal.
Isso em termos genéricos, pois numas das metrópoles desta época improvável, Sara desperta alarmada certa manhã, após um estranho sonho; nele viu a si mesma ainda criança, trajando apenas uma bata branca; estava de pé no centro de uma sala neutra, fria, revestida de azulejos e semelhante a uma enfermaria, no entanto completamente despojada; logo, por uma abertura numa porta até então invisível, surgiu um copo de vidro, contendo estranho líquido azul. Ela avançou a passos lentos, pegou o copo e bebeu devagar o seu conteúdo, sentindo-se logo invadir por uma tão grande leveza, que ao olhar para os seus pés percebeu, maravilhada, que eles flutuavam acima do chão...
Acordou aturdida, estranhando o quarto e seus objetos, que pairavam como espectros na penumbra. Não se lembrava de um dia ter sonhado; para ela, aliás, os sonhos não passavam de lendas, mitos insensatos que remontavam a uma era longínqua, a um mundo obscuro extinto há séculos. Pelo menos era esse o conceito que conseguira estabelecer lendo manuais e livros que versavam sobre o passado remoto da humanidade; essas vagas enciclopédias e estudos históricos, a bem dizer, nunca haviam se revelado cinzentos quando os lia em voz alta, nem deixado em sua língua um traço calcário, sensações que sempre experimentava quando diante de fatos e verdades concretas; só agora, porém, percebia isso com total clareza; como se uma luz nova tivesse sido acesa no interior do seu cérebro, dissolvendo sombras e névoas, evidenciando contornos; o mundo apresentava-se mais nítido, e a realidade material exigia dos olhos humanos a devida atenção para sua objetividade e solidez (ou seriam apenas os seus olhos?). O sonho, entretanto, ainda a envolvia, como uma aura invisível; sabores residuais, que iam do agridoce ao claramente amargo, ecoavam surdamente no céu da sua boca. As cores misturavam-se diante de seus olhos. Começava a compreender que algo completamente novo havia despertado dentro de si, algo que não tinha nome.
Agora a luz do primeiro sol surgia numa coluna clara e empoeirada, que penetrava pela janela e acendia no assoalho um círculo fulgurante; os acordes da aurora, que compreendiam todos os sons que se sucediam ao despertar, eram róseo-alaranjados e possuíam um sabor adocicado, levemente ácido, constituindo sempre um estímulo para que se levantasse da cama e iniciasse mecanicamente os seus afazeres cotidianos; ia diretamente à cozinha, aparava a água da torneira da pia num balde verde e seguia até a sala, para regar a sua pequena planta artificial, ficticiamente plantada num jarro metálico sobre o parapeito da janela; tratava-se de um gesto simbólico, uma espécie de rito solene cuja origem exata ela própria desconhecia; tinha entretanto consciência de que aquele ato diário se tornara uma necessidade quase física, um elo sem o qual o restante do dia permaneceria quebrado, não fazendo mais sentido algum.
Imitação de uma planta ornamental originária do antigo oriente, aquele curioso objeto, feito de uma liga sintética cuja consistência imitava a da extinta borracha, fora comprado há alguns anos, numa loja obscura localizada no coração da cidade, todavia abaixo da superfície; o proprietário daquele sombrio antiquário subterrâneo possuía os traços dos antigos asiáticos, era centenário e circunspeto, e a sua voz imemorial havia deixado na língua de Sara um sabor desconhecido, que ela sempre associava ao verde mistério das antigas florestas que um dia cobriram a terra; é por isso que, ao vê-lo passar na rua, vestindo um florido e antiquado quimono e como que flutuando acima do pavimento com seu passo suave, resolvera segui-lo, movida por uma inédita e irresistível curiosidade; assim acabou descobrindo aquele insólito depósito de realidades já desaparecidas, que se escondia nas entranhas da cidade, mais precisamente numa antiga estação de metrô desativada; foi como entrar numa máquina do tempo; o velho, calado, a guiou por entre as prateleiras extemporâneas, atulhadas de estranhos artefatos e parcamente iluminadas por uma luz amarelada e suja; à medida que caminhava, o seu assombro ia se acentuando mais e mais, até o ponto de materializar-se numa espuma fria em seu ventre: os objetos que vislumbrara até ali a haviam impressionado num sentido geral, despertando-lhe uma misteriosa nostalgia, mas a visão da planta a deixou paralisada de emoção; o velho oriental esboçou então um leve sorriso, que mais se adivinhava do que se via, e lançou ao ar esta sentença obscura: “O sono é o purgatório dos sentidos, e a loucura não passa de uma forma de esquecer...”. Ela olhou para ele, para o seu rosto enrugado, para os seus olhos insondáveis, para os seus lábios de corte nítido sobre os quais pairavam o silêncio e o mistério, mas não disse nada. Quanto ao velho, este apenas virou-se e caminhou lentamente de volta para sua mesa, perto da entrada. Então ela pegou a planta, perguntou quanto custava, pagou e saiu quase correndo, sem encarar o ancião. Tempos depois voltou ao local, mas a loja e o seu enigmático proprietário haviam simplesmente desaparecido. E desde essa ocasião, sempre que acordava lembrava-se imediatamente daquela frase, tentando descobrir nela algum sentido, mas não conseguia encontrar nenhum. O auge dessa obsessão ocorreu quando, certo dia, levantou-se de manhã, afastou de si o enigma como se empurrasse uma teia fabricada ao longo da noite, foi até a cozinha, aparou água no balde verde, regou a planta e chorou pela primeira vez desde que se entendera por gente...
Agora estava justamente recordando esse momento, ainda deitada após despertar do seu primeiro sonho, quando percebeu uma presença humana embuçada nas sombras espessas do fundo do quarto. Era o seu marido. Estava nu e rígido: uma estátua feita de carne e metal, posta ali como um objeto a mais do ambiente; embora não se movesse, o seu enferrujado corpo biomecânico emitia ruídos, e os seus desgastados circuitos elétricos geravam faíscas; contemplou-o com uma vaga ternura, e como sempre esperou que ele falasse:
“_ Eu os vi novamente, nossos filhos... estavam na sala, brincando... corriam ao redor do sofá, da mesa, mas eu não podia ouvir suas vozes, tão pouco o som dos seus passos... quis me dirigir a eles, participar da diversão, mas temi que acontecesse o mesmo que das outras vezes, que eles sumissem ao escutar minha voz... então eu apenas os contemplei, como se contempla um mito ou um sonho... segui-os até aqui... eles rodearam a sua cama enquanto você dormia, e eu podia ler em seus lábios, nitidamente, a palavra mãe... eu devia ter morrido sozinho, Sara, há muito tempo atrás... participei de tudo, ajudei a fomentar a destruição, o caos... devastamos a terra, a natureza, o corpo de deus... mas para mim não era só uma questão de dinheiro... o dinheiro era apenas um meio... eu almejava poder, poder além da imaginação... sempre estive no centro da engrenagem, fui sempre um agente ativo, uma voz potente e persuasiva... assim, quando a equação não pode ser mais balanceada, e o sistema predatório que controlávamos entrou em definitivo colapso, destruindo milhões de vidas e causando um abalo irreversível no equilíbrio da vida natural, eu soube migrar... fiz parte do processo de restauração, me tornei um herói da nova era, ajudei a criar tecnologias alternativas que nunca compensaram nada, embora tenham mantido viva a espécie humana... e, como um aspirante a deus, busquei a vida inteira um meio de me tornar imortal... burlei a morte o mais que pude, correndo contra o relógio, tentando vencer numa corrida obsessiva o tempo e seus sintomas implacáveis... e venci... contra todos os prognósticos, encontrei um modo de enganar a morte, embora o método significasse ao mesmo tempo sacrificar parte da minha natureza humana... não hesitei. Desde então se passaram quatrocentos e noventa anos... no cerne das estruturas de poder, e tendo a longevidade e a experiência como aliados, era só uma questão de tempo até que eu fosse alçado à condição de líder... durante mais de duzentos anos governei o mundo, fazendo crer a todos que viviam sob um regime radicalmente democrático... reconstruímos as cidades sob magníficos e indeléveis domos geodésicos no interior dos quais se respira o ar de um contínuo e aprazível verão, encontramos um meio de produzir artificialmente os alimentos, aperfeiçoamos a biologia humana em todos os seus aspectos, através de um programa eugênico de largo espectro, que fez nascer toda uma geração de superdotados, um grupo do qual você faz parte, querida... além disso, erradicamos a fome no planeta e eliminamos noventa e cinco por cento das doenças conhecidas... mas ainda sim nem todos estavam satisfeitos... membros dissidentes e até mesmo grupos rebeldes traziam à baila o eterno tema da liberdade... não tive dúvidas... massacrei-os... o sangue humano voltou a manchar a terra... foi então que, quase por acaso, descobrimos uma fórmula infinitamente mais eficiente e sutil... o Milagre Azul... um líquido que era a apoteose de todos os bálsamos, a resposta para todos os medos e aflições... feito à base de uma flor violácea até então desconhecida e que, contra toda e qualquer lógica, começou a brotar nos vastos desertos que atualmente cobrem o planeta... mantive a descoberta em segredo... e o extrato destilado da mágica flor foi misturado à água reciclada que abastece nossas cidades... os resultados foram imediatos... não havia mais raiva, angústia, desejo ou temor entre os homens... somente uma leve alegria, uma distraída sensação de conforto... milhões de pessoas pacificamente instaladas em suas poltronas, enquanto as máquinas faziam todo o trabalho... há muitos e muitos anos, como se sabe, não nascem mais seres humanos, e ninguém questiona este fato... agora você conhece a razão... o desejo, o amor e a paixão se diluíram numa espécie de êxtase estático... não havia ações e, por conseguinte, reações... assim tornei-me o pastor de um imenso e pacato rebanho... havíamos firmado um pacto, eu e o meu fiel circulo de conselheiros... não tomaríamos o líquido, pois sempre seria necessário um pulso lúcido e firme que mantivesse sob controle as rédeas daquele estranho reino... e jamais quebraríamos o elo daquele segredo... a pena para a traição seria a morte... estava orgulhoso, finalmente o mundo humano entrara em equilíbrio, e eu era o grande responsável... sentei em meu trono e dormi com um sorriso de vitória nos lábios...então tive um sonho...vi-me com vinte e sete anos, ainda um cirurgião plástico desconhecido nos anos oitenta do século XX, quando nem sequer imaginava tornar-me um poderoso político, devasso e corrupto... eu fazia cirurgias em mulheres que buscavam corrigir a natureza ou os sinais do tempo... mas um dia me dei conta de que não importava o que fizesse, a gravidade sempre venceria... talvez esteja aí o segredo da minha obsessão... passaram-se séculos até que eu lembrasse novamente desse momento, justamente num sonho... foi então que começou em mim uma lenta transformação... passei em revista todos os anos da minha vida, todos os meus atos, toda minha frieza, oportunismo e crueldade... esse processo durou cerca de dez anos... então resolvi sumir... deixei tudo nas mãos dos meus conselheiros, reafirmei meu voto de silêncio e desapareci... logo depois conheci você... foi muito bom, Sara... tentei levar um vida normal, fingir que nada aconteceu... mas descobri que não passo de um andróide paranóico... não posso e nem quero viver para sempre... não quero estar sozinho neste mundo quando as últimas luzes se apagarem, de joelhos no coração das trevas, aterrorizado, fulminado pela culpa... deixo em suas as mãos a chave do destino humano... já há cerca de três anos venho controlando e reduzindo secretamente os efeitos do Milagre Azul que você ingere todos os dias... quando se levantar, vá para o jardim... lá há alguém à sua espera... odeie-me, se você puder... depois depure a minha imagem em sua memória, e finalmente me esqueça... esse é o destino final de todas as lembranças...”
Sara, assombrada, trêmula, não conseguiu falar nada; então viu o seu marido, cujo passado ela praticamente desconhecera até aquele momento, o homem com quem casara movida por uma espécie de vaga compaixão, e que desde então passara a ser uma doce sombra na vacuidade de sua vida, desmoronar-se, fazer-se em pedaços, que pegavam fogo e soltavam pequenos estampidos ao caírem no chão do quarto; gritou e correu, desesperada, sentindo algo que devia ser pavor. Quando, chorando, abriu a porta da casa, viu um homem de pé na alameda do jardim virtual _ um holograma projetado na entrada, que representava os antigos terrenos onde se cultivavam plantas, e que no imaginário profundo da espécie humana continuavam a possuir uma conotação paradisíaca; o estranho estava vestindo roupas antiquadas: uma calça jeans e uma camiseta azul; era magro, relativamente jovem e possuía olhos tristes, que muito a impressionaram; o cabelo, de um tom claro, era eriçado; carregava a tiracolo um estojo negro no qual devia haver um instrumento musical, provavelmente um violino; música... ele ofereceu-lhe a mão; ela aceitou, após breve hesitação, e, ainda com lágrimas a desceram dos olhos, deixou-se conduzir. Percorreram a pé parte da cidade, sempre em silêncio, até chegarem a um prédio em construção no centro da metrópole aparentemente deserta; as máquinas ainda não haviam iniciado o serviço do dia; entraram pelos fundos, subiram as escadas e só pararam no último andar; no centro do cômodo escuro e despojado havia um tapete vermelho; ao lado, algo que se ocultava sob um pano branco; ele a levou até o tapete e a fez sentar-se; depois pegou o estojo, retirou de dentro um violino empoeirado e começou imediatamente a tocar; Sara ficou petrificada... sua alma encheu-se de um etéreo enlevo... faixas coloridas começaram a surgir no ar, flutuando, dançando ao ritmo da suave melodia, que possuía um sabor indescritível... repentinamente, porém, ele parou de tocar; as cores sumiram; então o estranho perguntou, avidamente:
“_ Qual a cor dessa música?”
Ela não compreendeu a pergunta.
Revelando certa impaciência, ele falou:
“_ Seu marido... o homem de lata... o déspota secular... ele me disse que você é capaz de sentir o sabor e ver a cor das notas musicais... sinestesia, acho que esse é o nome... então, que cor tem a música que acabei de tocar?”
Sara estava confusa; afinal, quem era aquele homem? Por que a trouxera ali?
Ele sentou-se, de frente para ela:
“_ Vai ficar calada? Não lhe bastaram todos esses anos de passividade e letargia?... Diga-me, por favor, que cor tem essa música?”
Sara, um tanto contrariada, respondeu:
“_ Amarela, com tons de laranja e azul...”
Os olhos do estranho brilharam:
“_ Era mais ou menos o que eu imaginava... daria tudo pra ter nascido com esse dom... ao invés disso, tenho um cérebro capaz de resolver cálculos complexos mais rápido do que qualquer calculadora... droga de habilidade... nunca me serviu pra muita coisa, com exceção de hoje...”
Sara levantou-se, irritada:
_ “Poderia por favor me dizer o que está acontecendo? Quem é você, o que estamos fazendo aqui?...”
Ele pediu que ela se sentasse, e falou calmamente:
“_ Ao lado deste prédio inacabado há outro, enorme e luxuoso. Estive nele antes de ir a sua casa. Invadi uma reunião, com a ajuda de um código secreto que o seu marido me forneceu e de minhas habilidades matemáticas. Matei a todos. Utilizei um antigo artefato chamado pistola, que deixou de ser produzido há muitos anos. Não há mais uma casta perversa governando o mundo em segredo. Agora daremos o próximo passo. Sente-se, por favor.”
Ela obedeceu, seduzida pela melodia daquela voz, que possuía um sabor exótico. O estranho então retirou o pano branco e mostrou o que estivera escondido sob ele; a revelação maravilhou-a: era uma planta autêntica, real, em cujos ramos pendiam pequenos frutos vermelhos; estava plantada num jarro feito de argila, com terra verdadeira; ele colheu um dos frutos, com cuidado, e ofereceu a Sara:
“_ Esta planta e o seu fruto são únicos. Floresceram na ausência do homem... Experimente.”
Um tanto hesitante, mas cada vez mais atraída pelo homem de olhos merencórios, ela comeu o fruto; os efeitos foram quase instantâneos: um calor ardente irradiou-se desde o seu ventre, espalhando-se em ondas vertiginosas pelo membros, subindo velozmente à cabeça... em breve, uma flor de fogo ardia no centro do seu corpo, e suas pétalas chamejantes, sopradas por um vento impetuoso e insano, espalhavam-se sob a pele de Sara, contaminando o sangue, infiltrando-se na medula dos ossos... de repente enlouquecia, desejava, amava... jogou-se sobre o estranho... fizeram um amor selvagem, delirante, explosivo... ao término, exaustos, olharam-se em silêncio por longos minutos; ela foi a primeira a falar:
“_Qual o seu nome?”
Ele sorriu:
“Eduardo.”
Foi a vez dela sorrir, maliciosamente:
“_ É um nome muito saboroso... e agora?...”
Ele olhou para o teto, com uma expressão sonhadora:
“O ideal seria que chovesse, que chovesse muito, que a água caísse de uma grande altura sobre nós... jamais vi a chuva... minha sede pede inundações... vou encontrar um meio de destruir este maldito domo...”
Um princípio de angústia assaltou Sara de repente:
“_ Mas o que vai acontecer daqui pra frente? O que será de nós, do mundo?...”
“_ Aí é que está a graça, o segredo. Não sabemos. Esse é o preço da verdadeira liberdade... vamos ficar aqui por enquanto... eu posso tocar mais uma música enquanto você vê suas cores... ou podemos apenas contemplar em silêncio este teto branco...”
Sara olhou para o teto; não havia nada perder, e um mundo inteiro a descobrir; mas por enquanto podia se dar ao luxo de ficar ali, ao lado daquele homem a quem já amava com certa loucura. Concentrou sua visão num ponto aleatório daquela neutra abóbada de gesso, na sua límpida brancura e sentiu que, se quisesse, se buscasse forças no fundo de si mesma, poderia conseguir o que jamais imaginou possível: provar a cor e o sabor do silêncio.

música: FAKE PLASTIC TREES
Pseudônimo: Led marley



autor : FERNANDO LUCENAA

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