domingo, 19 de abril de 2009

Brincadeiras a parte...

Mais uma tarde de sábado e a brincadeira iria continuar, como sempre, na casa de Clarisse.
Cada um dos três participantes do grupo revolucionário já tinha em mãos as características daqueles que foram designados a matar. Eram três dos mais renomados chefes de estado da época. Seus destinos vinham sendo traçados em tardes de planejamento por parte daqueles jovens sonhadores, ao som ruidoso de uma televisão ligada. Clarisse seria a responsável pelo homicídio de George, Tiago o responsável pela morte de Tony, e Antônio pelo assassinato de Adolf.
George estava incluso, desde criança, na alta sociedade do seu país. Acostumado a ter tudo nas mãos e de conseguir tudo aquilo que queria, desde bens materiais até os sentimentais, pelo alto poder aquisitivo da família, ele era filho de políticos que foram de suma importância para o desenvolvimento econômico do país. O agora “adulto” George se interessou pela política e pelo poder desde cedo. Branco, como todos os outros presidentes daquela nação, ele continuava com o trabalho da família e desempenhava um papel fortemente voltado ao desenvolvimento econômico. O seu grande erro, e por isto ele teria que morrer, era desprezar o aspecto social do país onde vivia, chegando ao ponto de esconder um preconceito de classes inaceitável pela seita formada pelos três jovens. ‘Pobres devem morrer, eles só atrasam o desenvolvimento da nação’ era o pensamento do então presidente e isso, para os jovens, era mais importante que aquilo que é externado diretamente. Sendo solteiro ele tinha a característica peculiar de ser um homem de várias mulheres. O ilustre presidente já havia namorado várias artistas famosas e algumas não famosas, mas as últimas seus assessores davam um jeito de esconder da tão curiosa mídia. Essa característica do presidente ia acabar tirando sua vida.
A jovem Clarisse pode ser definida de maneira breve. Com uma beleza rara que ia de lindos olhos azuis a um corpo impecável, a moça chamava a atenção desde cedo de todos os homens, comprometidos ou não, da cidade onde morava. Mas toda aquela beleza não era capaz de preencher a garota com felicidade. Ela, assim como seus dois companheiros de projeto, estava farta de todas as injustiças que aconteciam no mundo e queria abalar de alguma forma a estrutura daquele sistema que causava toda aquela estupidez. A garota Clarisse estava disposta a usar toda sua beleza em pró daquela que seria sua maior realização até então. A morte de George estava a caminho.
Adolf era, dos três líderes escolhidos, um dos mais hipócritas, o mais ‘filho da puta’, como comentavam os jovens nas reuniões semanais. Filho de negros e também negro, Adolf era um senhor estupidamente racista. Escondendo esse seu lado durante as eleições, ele conseguiu a maioria dos votos e se tornou presidente de uma das nações mais ricas do continente negro. Assim que assumiu seu posto político apunhalou todos aqueles que acreditavam nas suas promessas e, usando métodos de exploração baseados em repressão, aplicou um golpe juntamente com uma seita de brancos, cujos componentes ainda tinham os ideais nazistas como sendo parte da carta natal do universo. A partir daí o desenvolvimento do país assumiu proporções gigantescas, baseado na morte e repressão de vários inocentes. “Adolf – causa da morte: preconceito racial” é como estava escrito no planejamento dos jovens e circulado de vermelho no do jovem Antônio.
O quanto Adolf tinha de hipócrita o jovem Antônio tinha de cruel, mas era uma crueldade localizada. Desde cedo defensor da pena de morte, Antônio tinha um caráter fora do comum. Visto por fora um ser humano extremamente fraco e estranho, já que sua aparência física era totalmente raquítica. Visto por dentro possuía uma força inimaginável. Negro, filho de pais que sofreram muito para conseguir educar o filho e chegar ao estágio financeiro onde estavam, o jovem tinha muito orgulho da sua família e da honestidade com que os pais conseguiram o que tinham. Era um garoto de poucas palavras, mas adorado por todos aqueles que o conheciam a fundo. Guardava toda aquela crueldade citada para casos como o de preconceito, principalmente preconceito racial. Adolf também estava com os dias contados.
O Tony era adorado pela população do seu país. Conseguira há pouco tempo maioria absoluta nas eleições e ia para seu terceiro mandato seguido no comando daquela nação poderosa. Saudado em todo lugar que ia e sempre com palavras de incentivo ao trabalho honesto, escondia de maneira brilhante a corrupção que fazia dele o homem mais respeitado nas alas negras da política daquele país. Ao longo dos anos conseguiu assumir o posto de líder da comunidade social e da máfia organizada. Estava traçado o perfil de mais um alvo dos pequenos revolucionários. A morte de Tony foi designada ao mais jovem dos três envolvidos, o garoto Tiago, que tinha como característica peculiar a paciência com resquícios de uma frieza sombria.
Eles agora estavam prontos para usar os superpoderes e colocar em prática o plano que vinha sendo traçado há vários sábados. A ação ia começar quando se ouviu de longe: “Garotos! Hora do lanche!” disse a mãe da Clarisse, 10 anos, que havia preparado juntamente com a mãe do pequeno Tiago, 8, e Antônio, 12, o lanche das três.
Assim o plano de mudar o mundo foi trocado por refrigerante e pedaços de bolo.

Música escolhida: We Suck Young Blood
Pseudônimo: homework



autor: João Vinícius

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