domingo, 19 de abril de 2009

Olhos de bebezinhos.

Charles Rubbert, um homem de 1,81m de altura, cabelos grisalhos, com seus trinta e tantos anos, empresário de sucesso, estava de folga e fora passar o fim de semana com os amigos nas montanhas. A mulher de Charles, Mia Rubbert ficara com o bebê que acabara de nascer à duas semanas em sua casa.
Uma típica manhã do dia 22 de dezembro de 2012, quando Charles, Fred e Richard saboreavam aquele pernil assado na fogueira que eles fizeram. Por perto, lobos e coiotes uivavam incansavelmente para a lua cheia que ficara mais nítida conforme o céu escurecia. Os três homens deitaram-se em suas barracas e acomodaram-se. Aquela noite faria a cabeça de Charles quase explodir de tanta angústia, de tanta agonia. Um sonho perturbou os seus pensamentos.
Faltavam exatamente dez minutos para as três da manhã. Fred e Richard discutiam filosofias de Platão ao lado da fogueira e Charles estava sentado em cima de uma pedra, fitando o céu estrelado, que só o fazia lembrar de Mia e de seu filho. Perturbado com a saudade e com um pressentimento ruim, ele decide ir dormir em sua barraca.

‘Olhem... Olhem! O que é aquilo no céu?’ – Gritavam as pessoas – ‘Meu Deus, o céu está ficando vermelho’ – Observavam. Charles se via no meio de uma multidão apavorada no centro da cidade, correndo para escapar do que parecia ser o fim do mundo. Bombas eram lançadas na cidade e ele estava desesperado. À 88 kilômetros por hora, ele estava desesperadamente aflito e queria chegar em casa para salvar sua família. A cada quarteirão, via-se outdoors com os seguintes dizeres: “Vocês, jovens, devem servir seu país na guerra. Alistem-se o mais rápido possível”. Mas Charles sabia que aqueles dizeres eram apenas um aviso, que de mês em mês os soldados e médicos iam de porta em porta examinando e levando filhos de famílias para um “campo de concentração” militar. Ele sabia que em um futuro, seu filho seria mais um levado por eles. E lágrimas escorreram pelos seus olhos.
Chegando perto de sua casa, percebeu que a sua vizinhança estava completamente destruída pelas bombas e quando chegou finalmente, viu sua mulher morta e seu filho nos braços dela. Ajoelhou-se e não se conteve. Perguntava, aos gritos, o motivo de tudo isso estar acontecendo. Um último “NÃO” de seu paladar o fizeram acordar de um terrível pesadelo. Saiu de sua barraca, estremecido pelo que acabara de acontecer-te. Olhou para o céu, onde estavam as estrelas e olhou as barracas de seus amigos. Olhando de um lado para o outro, percebendo que sua família poderia estar correndo perigo, imaginando um futuro ao menos parecido com seu sonho, deixou um bilhete para seus amigos e foi-se em direção à sua casa. No meio do caminho ele repetia para si, várias e várias vezes: “Eu vou me deitar em um abrigo subterrâneo...”, e minutos mais tarde, aos prantos, dizia: “Eu não vou deixar que isso aconteça...”, “...Eu não vou deixar que isso aconteça à minha criança. Ela não deve conhecer o mundo real saindo de sua concha!”.
E arrependido por ter deixado sua família, ele dizia: “Eu vou vir a tona”.
Ele notava que aviões cortavam os céus e ficava desesperado. Por fim, chegando em casa, exatamente às seis horas da manhã, com sua esposa dormindo, foi até o quarto do bebê e o fitou. Charles estava vermelho, sensibilizado, assustado e chorando, dizia em voz baixa, acariciando a cabeça de seu precioso filho:

“Olhos de bebezinhos, olhos, olhos olhos. Olhos de bebezinhos, olhos, olhos, olhos...”

Música: I Will
Pseudônimo: DiNapoli


autor: Jivago Achkar Jrieje Alcantara

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