domingo, 26 de abril de 2009

Salada de Batatas

Não havia nada a temer. Chegariam à mesma hora, ficariam juntos pelo mesmo tanto de tempo, fariam o que queriam fazer e ninguém saberia. O que os outros dois não sabiam não os machucava. Ele vinha traindo a esposa há semanas — na verdade meses — e não sentia o menor remorso por isso.
Remorso? Remorso por aquilo? Que besteira pensar nisso. Ela merecia, não? Se queria se privar de uma boa transa com ele não era de sua conta. Havia quem o desejasse.
Chamava-se Elisa — não a mulher dele, mas a outra —, e se existe um deus ele havia caprichado nela. A mulher era um tesão. Morena, estatura mediana, peitos fartos, um olhar tão verde que parecia uma floresta em miniatura presa em uma pequena esfera de vidro, a boca tão carnuda que era impossível não desejar, e, como toda boa brasileira, disse BOA brasileira, tinha uma bela bunda. Durinha e bem definida. Um tesão, meu caro leitor, um tesão.
Paulo ficava doidinho por ela, e quando ousava comparar Elisa com a coisa moribunda, molenga e cheia de estrias que o aguardava em casa, todo dia, quando chegava do trabalho, com um sorriso no rosto e aquela porcaria de salada de batatas, ria-se. Seria como dizer que dois mais dois é igual a cinco.
E lá vinha ela, como sempre na mesma hora, desfilando com seu rebolado que enlouquecia os homens e o levava do céu ao inferno em dois tempos. Era só dele.
Ah, sim, ela também era casada, mas seu marido era tão imbecil que nem notava a esposa. Na verdade, ela casara só pela grana que ele tinha — o cara era feio pra caramba, tão feio que nem vou descrevê-lo pra não perder nosso tempo e cansar minha mão, teclando coisas à toa que não vão acrescentar nada a nossa historinha, porque é preciso manter-se controlado pra não deixar o texto absurdamente grande e sem conteúdo, concorda? Por isso eu só vou teclar/escrever o que for necessário, caro leitor, não se preocupe. Não vou nos cansar com lorotas:
— Sempre na hora certa — disse o Paulo com um sorrisinho sem vergonha —, vamos?
Queria saber por que ele perguntou isso. Estavam ali para ir, certo?
— Vamos — aquela boca abrindo e fechando, falando quase nada, enlouqueceria qualquer um que a visse, quer dizer, ouvisse —, mas hoje não posso me demorar muito. Compromisso.
— O quê exatamente? — ele pouco se importava com o que ela tinha que fazer, só não gostava da idéia de ter que transar menos naquele dia. Raios! — O Mendoncinha vai chegar mais cedo em casa?
— Mendon... Ah, ele. É mais ou menos. Não vem ao caso, vamos logo, gostoso — ela sabia falar como perua/vadia igual a ninguém.
— Certo.
Engraçado como nessas horas o traíra se sente traído.
Os dois atravessaram a cidade, até chegar a um motel bem bonitinho e escondido. Motel Hell Love — adorei o nome, Amor Infernal, muito belo —, super convidativo a todo tipo de orgia, concorda?
Já eram da casa conhecidos, então não tiveram muitos problemas com a questão do sigilo. Pagavam uma boa quantia extra pra que ninguém soubesse que eles estiveram ali. Dona Maria, a recepcionista — nem toda Maria é só dona de casa; se bem que, dona Maria cuidava daquele inferno... — sempre soltava um muxoxo quando os dois chegavam. Sem vergonhas, dizia, mas no fundo ela sentia era inveja de Elisa, pelo corpo que tinha e o homem que o possuía.
Mal chegaram ao quarto se atracaram. Ele tirando as roupas dela e ela chupando o pescoço dele.
— Gostosa — sussurrou Paulo, enquanto deslizava a língua pelos seios fartos de Elisa e percorria com as mãos o corpo da mulher: barriga, bunda, vagina, nada escapou daquelas intrusas.
E ela gostava, e logo retribuiu. Empurrou-o para a cama, e puxou sua calça. Estava louca, a doida da mulher. Puxou a calça dele com um único movimento, a cueca tirou com a boca, e a brincadeira começou.
Ela o chupava como se a uma divindade, o Deus Pênis. A boca dela era o templo e a língua o sacerdote, que oferecia o doce sacrifício a sua realeza cilíndrica. E como ela gostava.
Passava a língua pelo o pequeno grande rei, e depois o engolia por inteiro — um mistério — e depois o deixava de lado e partia pro seu colega de classe: o Saco — só pra lembrar, ele era depilado sempre, a pedido dela que não gostava de ter pentelhos grudados na língua —, engolia-o, regurgitava-o, lambia-o até se cansar, ou Paulo gozar. Ela adorava quando ele gozava na boca dela. Engolia tudo, muito obediente.
Então ele a agarrou. Jogou-a na cama e começou a lambança. Peitos, corpo, até chegar lá.
Enfiava a língua, tirava, lambia, beijava, chupava, enfim. Serviço completo.
Mas o melhor vinha depois, quando ele a pegava pela cintura, prendia em seu colo, e fazia-a gemer olhando fixamente em seus olhos.
Era lindo de se ver. Os dois emaranhados um no outro, se encarando, beijando, lambendo os rostos, enquanto o prazer percorria a extensão de seus corpos, que ficavam como um só. Ela cavalgava. Ele era o cavalo. O quarto o campo.
Nesse momento eles estavam no céu.
Então cometiam o pecado de querer mais — querer mais é pecado — e iam pro inferno. Ele a deixava de quatro, uma ninfa indefesa, diante de seus joelhos, e a penetrava. Uma duas três quantas vezes quisessem. Pareciam estar no mais profundo do laguinho de fogo que os esperava, mas o cheiro que sentiam não era de enxofre, ou de carne queimada. Sentiam o cheiro do prazer, do êxtase, do ápice de um relacionamento. O sexo é divino, mesmo sendo selvagem — e ele lá, fazendo bem o que sabemos.
Ah, os gritos, gemidos, delírios dela eram impagáveis. Valiam muito mais do que cada centavo pago por aquele quarto. Sexo bom, a preço de fabrica.
No fim, os dois caiam um do lado do outro. Exaustos, ofegantes, satisfeitos.
Até que a verdade voltasse até eles, e os trouxessem de volta ao mundo real:
— Você tem que ir mais cedo por que mesmo? — indagou Paulo, brincando com os mamilos da parceira.
— O idiota quer que eu cozinhe — respondeu Elisa, passando a mão pelo abdômen do amante.
— Algo em especial? — disse Paulo quase em cima dela.
— Salada de Batatas — disse Elisa, sem saber o que dizia.


Autor: Henrique Santana Cordeiro
Pseudônimo: Pismire
Música: Talk Show Host

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